Matheus Vinicius Voigt, profissional da área de engenharia elétrica e gestão de projetos, expõe uma falha recorrente em cidades de diferentes portes: a manutenção da rede elétrica é tratada como resposta às reclamações, em vez de ser vista como uma rotina programada. O poste só recebe atenção depois que alguém se manifesta, reclamando da falta de iluminação na via.
Esse hábito não decorre de negligência, mas sim de restrições orçamentárias e de uma equipe de campo com recursos limitados para a contenção de incêndios, não para a sua prevenção. Enquanto a lógica reativa permanecer como a única forma de gestão conhecida, cada nova falha contribuirá para a perpetuação do ciclo de resposta tardia.
Ao longo deste artigo, fica claro por que esse hábito custa mais do que parece à primeira vista, e o que muda na prática quando a manutenção deixa de ser reativa para virar parte do planejamento contínuo da rede elétrica.
Monitoramento e manutenção preventiva reduzem o risco de agir apenas depois da falha
A manutenção reativa é caracterizada por uma abordagem simples e direta, com a realização de reparos apenas quando o equipamento apresenta defeitos. Embora funcione bem enquanto a rede é pequena e os problemas são raros, ela tende a crescer junto com a cidade, resultando em uma fila constante de chamados que a equipe de campo nunca consegue zerar de verdade.
O escopo da questão não se limita ao volume. Quando a falha ocorre, o dano já está consolidado, seja pela falta de luz por dias ou pela queima de equipamentos em decorrência de sobrecarga não detectada a tempo pela equipe responsável.
Ao observar a questão, Matheus Vinicius Voigt ressalta que, em uma análise preliminar, a ausência de uma equipe dedicada à inspeção programada pode ser interpretada como uma economia real, uma vez que implica uma redução no número de pessoas em campo, na quantidade de rotas fixas e nos custos mensais fixos do orçamento.

A comparação entre o custo direto da equipe e o custo indireto de cada falha que resulta em chamado é incompleta, pois não considera o custo total associado a cada situação. Esse cálculo incorreto pode se espalhar por outras rubricas sem que os dois lados da conta sejam devidamente contabilizados.
Inspeções regulares substituem a lógica de corrigir falhas apenas depois que elas aparecem
A manutenção deve ser programada e a peça, trocada após a conclusão do tempo de vida útil estimado, não quando houver quebra. Essa medida visa mitigar tanto falhas inesperadas quanto o tipo de falha em cascata, que ocorre quando um equipamento comprometido acaba levando outro junto por sobrecarga.
Para Matheus Vinicius Voigt, a mudança mais perceptível para o morador não é de caráter técnico, mas cognitivo: a rede passa a falhar menos porque recebeu mais atenção prévia, não porque alguém precisou consertá-la posteriormente. Esse tipo de confiança não verbal é difícil de medir, mas fácil de perder quando volta a faltar.
Corrigir esse erro começa no critério de contrato, não na equipe de campo
A substituição da manutenção reativa pela programada não é uma decisão unicamente da equipe técnica, mas sim uma determinação contratual. O edital deve estabelecer uma rotina de inspeção, não apenas a resposta a chamados, a fim de que a equipe disponha de tempo e mandato para agir antes da falha.
Essa mudança também afeta o indicador utilizado para mensurar o sucesso do contrato. Em vez de quantificar os atendimentos efetuados, o mais adequado seria mensurar o número de problemas que foram evitados antes que uma demanda se torne um atendimento formal, um critério viável somente se a inspeção programada estiver prevista desde o início.
No fim, Matheus Vinicius Voigt ressalta que tal ajuste de critério, implementado durante a fase de contratação, é o que de fato altera o comportamento da rede ao longo dos anos, superando em importância qualquer novo equipamento instalado sobre o mesmo modelo de gestão antigo.