Greve dos Correios paralisa entregas e pressiona custos do comércio eletrônico no país

Giulia Vercelli
Giulia Vercelli 4 Min de leitura

Paralisação dos trabalhadores dos Correios afeta prazos de entrega, aumenta a pressão sobre lojistas e pode encarecer operações de comércio eletrônico no Brasil.

Uma greve nacional dos trabalhadores dos Correios, iniciada na noite de quinta-feira (10) para sexta-feira (11) de setembro, já provoca reflexos diretos sobre o comércio eletrônico brasileiro. A paralisação atinge centros de distribuição, agências e unidades operacionais em diferentes regiões do país, forçando lojistas e consumidores a recorrerem a transportadoras privadas, geralmente com frete mais caro.

O movimento começou depois que assembleias sindicais organizadas pela Federação Interestadual dos Sindicatos dos Trabalhadores dos Correios rejeitaram a proposta de reajuste salarial apresentada pela direção da estatal para o Acordo Coletivo de Trabalho 2026/2027. Sem acordo entre as partes, a paralisação foi aprovada por tempo indeterminado e abrangência nacional.

Como fica o funcionamento das agências

Por se tratar de um serviço considerado essencial, a operação dos Correios não é interrompida por completo durante a greve. A estatal mantém parte das atividades funcionando, ainda que em ritmo reduzido, o que já é suficiente para gerar atrasos consideráveis na entrega de encomendas. Pequenos e médios varejistas que dependem quase exclusivamente do serviço público de entregas enfrentam agora o desafio de reorganizar sua logística em cima da hora.

Plataformas de gestão de fretes já orientam lojistas a diversificar as transportadoras utilizadas durante o período de instabilidade, distribuindo os envios entre diferentes operadores para reduzir o risco de que todos os pedidos fiquem retidos no mesmo gargalo. Algumas ferramentas de cálculo de frete passaram a somar automaticamente dias úteis extras aos prazos estimados para envios pelos Correios, como forma de evitar que lojistas prometam datas de entrega que a greve pode inviabilizar.

Estatal enfrenta cenário financeiro delicado

A paralisação ocorre em um momento particularmente sensível para os Correios. A empresa acumula 15 trimestres seguidos de prejuízo e registrou perda de R$ 5,6 bilhões apenas no primeiro semestre de 2026, sendo R$ 3,1 bilhões concentrados nos três primeiros meses do ano. Ainda que o resultado do segundo trimestre tenha mostrado leve melhora na comparação com os períodos anteriores, a dívida elevada e a necessidade de capital de giro seguem no centro das preocupações da direção e do governo federal.

Para aliviar o caixa, a estatal aguardava, até 15 de setembro, a liberação de um novo empréstimo de R$ 7 bilhões, estruturado por um consórcio de bancos estrangeiros em conjunto com o Banrisul. A greve lança dúvida sobre a velocidade de recuperação operacional da empresa justamente num período em que ela buscava reforçar sua percepção de solidez junto aos credores.

O que fica em aberto para o setor

O impacto da paralisação tende a se espalhar por toda a cadeia de comércio eletrônico, já que os Correios ainda concentram parcela relevante das entregas de pequenas encomendas no país, especialmente em regiões mais distantes dos grandes centros urbanos, onde a presença de transportadoras privadas é mais limitada. Enquanto a categoria e a estatal não chegam a um novo entendimento, comércio eletrônico, pequenas empresas e até órgãos públicos que dependem do envio de documentos já se preparam para atrasos e remanejamento de rotas logísticas nos próximos dias.

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