Como a infraestrutura logística deficiente ainda encarece o custo do transporte no Brasil

Diego Velázquez
Diego Velázquez 6 Min de leitura

Rodovias precárias e baixa integração entre modais elevam custos operacionais e afetam a competitividade das empresas brasileiras.

O custo de transportar mercadorias dentro do Brasil segue entre os mais altos do mundo, e boa parte dessa conta tem origem na infraestrutura deficiente do país. Rodovias com pavimento deteriorado, ferrovias subutilizadas e portos que ainda enfrentam congestionamento formam um cenário que pressiona diretamente o bolso de transportadoras, indústrias e, no fim da cadeia, o consumidor final. Estudos do setor mostram que a chamada última milha, etapa final da entrega de mercadorias, pode representar até 65% do custo total de transporte, um número que evidencia o quanto ineficiências acumuladas ao longo da cadeia se concentram justamente na ponta mais próxima do destino. Entender essa dinâmica ajuda a explicar por que o preço de produtos varia tanto entre regiões do país e por que a modernização da infraestrutura é tratada como prioridade econômica pelo governo e pelo setor privado.

O peso da infraestrutura precária no custo das operações

Segundo estudo da Confederação Nacional do Transporte, a defasagem na infraestrutura brasileira custa ao setor de transportes cerca de R$ 60 bilhões por ano de acordo com levantamento da CNT sobre o impacto financeiro dessa defasagem. Uma das principais causas está nas rodovias, responsáveis por cerca de 60% do transporte de carga no país. Ainda de acordo com a entidade, 40% das rodovias brasileiras são classificadas como ruins ou péssimas, o que se traduz em custos mais altos de manutenção de veículos e em maior tempo de viagem, prejudicando diretamente a competitividade das empresas que dependem do transporte rodoviário para escoar sua produção segundo os dados apresentados pela Confederação Nacional do Transporte. RasterRaster

Os portos também contribuem para essa equação de custos elevados. Terminais como os de Santos e do Rio de Janeiro enfrentam problemas de congestionamento, com taxa de utilização em torno de 85% na maioria dos portos brasileiros, o que gera lentidão nas operações e eleva os custos para o setor de transporte conforme dados sobre a taxa de ocupação dos principais portos do país. Esse gargalo afeta especialmente os exportadores, que dependem de prazos previsíveis para cumprir contratos internacionais e manter competitividade frente a outros países produtores de commodities. Raster

O que a modernização da infraestrutura pode mudar na prática

A boa notícia é que os efeitos da modernização já começam a aparecer em projeções do setor. Com o avanço de iniciativas ligadas ao Plano Nacional de Logística 2050, a integração entre rodovias, ferrovias, portos e outros modais deve trazer mais previsibilidade ao fluxo de cargas, alterando diretamente a lógica de custos e distribuição das empresas segundo análise sobre os efeitos esperados desse plano na cadeia logística. Hoje, rodovias em condições precárias, gargalos estruturais e baixa integração entre modais aumentam o tempo de deslocamento, geram retrabalho e pressionam a eficiência das operações logísticas em todo o país. Jornaldobras

A tendência, segundo especialistas do setor, é que esse cenário comece a mudar à medida que os investimentos avancem. A ampliação da malha ferroviária e a melhoria das rodovias tendem a criar rotas mais eficientes e seguras, reduzindo tempo de viagem e aumentando a confiabilidade das operações conforme avaliação sobre os efeitos da expansão da infraestrutura ferroviária e rodoviária. Na prática, isso abre espaço para um redesenho das cadeias logísticas, com empresas repensando onde posicionar estoques e centros de distribuição, priorizando corredores mais competitivos e menos dependentes de rotas historicamente congestionadas. Jornaldobras

O impacto regional das diferenças de infraestrutura

Um dos aspectos mais relevantes dessa discussão é a desigualdade regional na qualidade da infraestrutura brasileira. Enquanto Sudeste e Sul contam com uma malha relativamente mais desenvolvida, Norte e Nordeste ainda enfrentam desafios logísticos importantes, com baixa conectividade entre rodovias, ferrovias e portos de acordo com análise sobre o descompasso regional na infraestrutura do país. Esse cenário cria um obstáculo relevante para empresas que precisam operar em escala nacional, já que os custos de transporte variam de forma significativa conforme a região de origem e destino da carga. Raster

As parcerias público-privadas surgem como uma das principais ferramentas para reverter esse quadro, já que permitem modernizar rodovias, ferrovias e portos sem que o governo precise arcar sozinho com os custos de investimento segundo avaliação sobre o papel das PPPs na modernização do setor. Se o modelo continuar sendo ampliado, a expectativa é de avanços concretos na redução dos custos logísticos, o que teria efeito direto sobre preços ao consumidor e sobre a competitividade da indústria nacional no mercado externo. Raster

O custo logístico brasileiro segue sendo um dos principais entraves para a competitividade da economia nacional, mas os sinais de mudança já aparecem em projetos, investimentos e planejamento de longo prazo. Para empresas que dependem do transporte de mercadorias, acompanhar de perto a evolução desses projetos pode ser decisivo na hora de planejar rotas, estoques e prazos de entrega. A modernização da infraestrutura não resolve o problema da noite para o dia, mas indica um caminho possível para reduzir, aos poucos, o peso do custo Brasil sobre a economia real.

Fontes consultadas:
https://raster.com.br/desafios-da-infraestrutura-logistica-no-brasil-o-que-esperar-em-2026/
https://jornaldobras.com.br/noticia/126657/como-investimentos-em-rodovias-e-ferrovias-podem-reduzir-custos-e-mudar-o-planejamento-logistico/amp

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