Investimentos em Infraestrutura de Transporte: O Impacto no Custo do Frete e na Competitividade do Brasil

Alexey Orlov
Alexey Orlov 6 Min Read

A falta de investimento em infraestrutura de transporte no Brasil tem sido uma das principais causas do elevado custo do transporte de cargas no país. A análise do Tribunal de Contas da União (TCU) revela que o Brasil investe menos da metade do que outros países de renda média em infraestrutura de transportes, o que resulta em custos logísticos mais altos. Esse cenário prejudica a competitividade do Brasil, encarecendo as operações comerciais e diminuindo a eficiência do mercado interno, que depende de uma logística robusta e bem planejada para operar de forma eficiente.

Em 2022, o custo logístico no Brasil representou cerca de 13% do Produto Interno Bruto (PIB), o que equivale a R$ 1,3 trilhão. Isso demonstra a grande dependência do país de um sistema de transporte que ainda carece de melhorias significativas. O estudo aponta que as despesas com transporte de cargas no Brasil são quase o dobro em comparação com países desenvolvidos. A situação é agravada pela falta de investimentos em infraestrutura que poderia tornar o transporte mais eficiente e, consequentemente, reduzir os custos logísticos.

Além disso, o relatório do TCU destaca que a infraestrutura ferroviária no Brasil está subutilizada, com mais da metade da malha ferroviária sem tráfego ou com fluxo extremamente baixo. Esse desperdício de capacidade é um reflexo da falta de planejamento estratégico no setor. A predominância do modal rodoviário, que opera com frotas antiquadas e rodovias precárias, resulta em custos elevados e maior consumo de combustível. A substituição de modais mais eficientes, como as ferrovias, pelos rodoviários também traz implicações negativas, como maior risco de acidentes e poluição, sem contar o impacto econômico.

No contexto da exportação, o Brasil concentra seus esforços logísticos em corredores voltados para o escoamento de commodities. Contudo, esse modelo privilegia o mercado externo em detrimento do transporte doméstico de cargas. Dados revelam que as cargas domésticas representam dois terços do total de mercadorias transportadas, mas o planejamento ainda se volta principalmente para as necessidades do mercado externo. Essa disparidade na alocação de recursos é um reflexo de um sistema que não atende adequadamente a demanda interna, prejudicando a competitividade da indústria nacional.

A falta de um planejamento estratégico adequado, conforme apontado pelo TCU, também afeta a transparência e a coordenação entre os diferentes níveis de governo. Não existem documentos ou diagnósticos que indiquem claramente os principais gargalos logísticos do país. Essa falta de informações estruturadas dificulta a criação de políticas públicas eficientes que possam melhorar o setor. A ausência de integração entre os planos logísticos e a falta de uma regulação eficiente são barreiras significativas para o avanço da infraestrutura de transporte no Brasil.

A solução para esses problemas passa, essencialmente, por um planejamento estratégico robusto que inclua a modernização e expansão da infraestrutura de transporte, com ênfase na utilização de modais mais eficientes, como as ferrovias. O Plano Nacional de Logística 2050 (PNL 2050) deve ser a base para esse planejamento, com critérios técnicos claros para identificar os gargalos e priorizar as obras que trarão mais benefícios econômicos e sociais ao país. O Brasil precisa adotar um modelo de gestão que considere não apenas os custos de implementação, mas também os impactos ambientais e sociais das obras.

O investimento em infraestrutura é, portanto, uma questão central para o futuro do Brasil, especialmente no setor de transporte de cargas. Sem os investimentos necessários, o país continuará a enfrentar dificuldades que comprometem sua competitividade no mercado global. O aumento dos custos logísticos, a falta de eficiência no transporte doméstico e a sobrecarga das rodovias são apenas algumas das consequências da ausência de políticas públicas eficazes. A adoção de um planejamento estratégico e a implementação de medidas urgentes são essenciais para corrigir essas falhas.

O TCU enfatiza que, sem uma mudança significativa na abordagem do setor de transporte, o Brasil ficará para trás em termos de eficiência logística, o que impactará diretamente na sua competitividade. O relatório sugere que os achados do Acórdão 2000/2024 devem servir como ponto de partida para uma transformação profunda no setor de infraestrutura de transporte, com o objetivo de reduzir os custos de logística e melhorar a competitividade no mercado interno e externo. A reforma na infraestrutura de transporte é, portanto, um passo fundamental para garantir o crescimento sustentável e a eficiência econômica do Brasil nos próximos anos.

Autor: Alexey Orlov
Fonte: Assessoria de Comunicação da Saftec Digital

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