A competitividade das exportações brasileiras enfrenta um momento de tensão, com setores produtivos alertando para um quadro de dificuldades que vão além da oscilação cambial e das variações de preço de commodities. A combinação de custos logísticos elevados e taxas de juros altas tem causado impactos diretos na capacidade de empresas brasileiras concorrerem em mercados externos, ameaçando posições conquistadas ao longo de décadas. Especialistas ouvidos por esta reportagem destacam que, sem mudanças estruturais profundas, o Brasil corre o risco de perder participação em cadeias globais de valor justamente em um momento de recuperação econômica mundial.
O problema, segundo analistas do setor industrial, está na soma de gargalos que tornam produtos brasileiros menos atraentes em termos de preço final. Portos congestionados, estradas com baixa qualidade de pavimentação e processos burocráticos lentos se traduzem em prazos maiores e custos que engolem margens de lucro. Ao mesmo tempo, o custo do dinheiro no País, ainda elevado em comparação a muitos concorrentes internacionais, desestimula investimentos em inovação e expansão de capacidade produtiva. Empresas que exportam insumos industriais e manufaturados sinalizam que tal contexto exige medidas urgentes.
Representantes de entidades empresariais afirmam que a situação logística afeta não apenas o tempo de entrega, mas também a previsibilidade de operações. A falta de integração entre modais, somada à infraestrutura aquém do ideal, pressiona a competitividade nas rotas que ligam o interior do Brasil aos grandes portos de embarque. A importância dessa questão é sublinhada pelo fato de que mercados como Europa e Ásia demandam não só qualidade, mas também eficiência logística para renovar contratos de fornecimento. Nessa corrida, atrasos significam perda de confiança de compradores internacionais.
Além disso, operadores econômicos mencionam que a rigidez da política de juros no Brasil dificulta a obtenção de capital para financiar exportações. Enquanto concorrentes na Ásia e em partes da América Latina têm acesso a crédito mais barato, capaz de sustentar estoques e ampliar prazos de negociação, empresas brasileiras arcam com custo financeiro maior. Isso se reflete nos preços finais colocados no exterior, reduzindo a margem de competitividade frente a produtos de mercados com custo de capital mais favorável.
O impacto dessas limitações é sentido em diferentes segmentos, desde commodities agrícolas até bens manufaturados de maior valor agregado. Produtores de carne, grãos e minerais observam que, mesmo com demanda internacional firme, a competitividade pode ser corroída por despesas extras e ineficiências. No setor automotivo e de máquinas, por exemplo, a combinação de juros altos e restrições logísticas leva importadores a pesquisar alternativas em países com sistemas de exportação mais ágeis e custos totais mais atrativos.
Governos estaduais e o federal afirmam estar atentos ao tema e apontam esforços em andamento para modernizar a infraestrutura e reduzir custos. Programas de concessões de rodovias e ferrovias, além de investimentos em tecnologia portuária, são citados como ações que, no médio prazo, podem aliviar alguns dos entraves históricos. No entanto, empresários ressaltam que a implementação dessas iniciativas precisa ganhar ritmo para produzir efeitos concretos na competitividade externa.
Especialistas em comércio internacional destacam também a importância de políticas públicas que promovam maior integração entre os setores produtivos, logística e financiamento. Ferramentas que incentivem a exportação de produtos com maior valor agregado e reduzam a dependência de commodities podem contribuir para um posicionamento mais sólido do Brasil nos mercados globais. Para isso, a articulação entre governo e iniciativa privada aparece como fator determinante em um cenário cada vez mais competitivo.
Diante desse panorama, operadores do comércio exterior e economistas concluem que o Brasil precisa desenhar uma estratégia de longo prazo, capaz de enfrentar paralelamente desafios logísticos e financeiros. Apenas assim, apontam eles, o País poderá reconquistar espaço e confiança em negociações internacionais, ampliando sua participação no comércio global. A urgência dessas ações se reflete não só na busca por crescimento econômico, mas também na necessidade de gerar empregos e renda por meio de exportações sustentáveis e competitivas.
Autor: Alexey Orlov