Cinco terminais ferroviários entram no radar de novos investimentos privados no Brasil

Giulia Vercelli
Giulia Vercelli 9 Min de leitura

Leilão previsto para dezembro coloca cinco terminais integrados à Ferrovia Norte-Sul no centro da agenda de investimentos em infraestrutura logística, com participação da iniciativa privada e potencial de ampliar a movimentação de cargas no país

Leilão de cinco terminais amplia agenda de investimentos em logística

O Brasil se prepara para realizar, em 3 de dezembro de 2026, na B3, em São Paulo, o leilão de cinco terminais logísticos integrados à Ferrovia Norte-Sul. A iniciativa faz parte da estratégia do governo federal de ampliar a participação privada na infraestrutura ferroviária e criar novas alternativas para movimentação de cargas. Segundo o Ministério dos Transportes, os terminais estão localizados nos municípios de Palmeirante e Porto Nacional, no Tocantins. (Serviços e Informações do Brasil)

Dos cinco empreendimentos, dois serão destinados à movimentação de granéis agrícolas e três à movimentação de granéis líquidos. A escolha dos segmentos coloca os terminais em uma posição estratégica dentro de uma das principais ferrovias de integração do país, especialmente pela conexão com cadeias produtivas que dependem de transporte de grandes volumes.

A expectativa de investimentos associada aos cinco terminais chega a aproximadamente R$ 246 milhões, segundo informações divulgadas sobre o leilão. O processo representa uma oportunidade de entrada de capital privado em estruturas que já fazem parte da rede ferroviária nacional e podem ganhar capacidade, modernização e novos modelos de operação.

O movimento também ocorre em um momento de ampliação da agenda federal para ferrovias. O Ministério dos Transportes apresentou em setembro um modelo para estimular a participação privada na recuperação de aproximadamente 10 mil quilômetros de trechos ferroviários ociosos, desativados ou em processo de devolução, além de novos projetos de terminais logísticos. (Serviços e Informações do Brasil)

Ferrovia Norte-Sul ganha importância para o transporte de cargas

A localização dos terminais é um dos principais elementos econômicos do projeto. A Ferrovia Norte-Sul foi concebida para conectar regiões produtoras do interior brasileiro a portos e centros consumidores, permitindo que cargas percorrem longas distâncias por ferrovia. O Tribunal de Contas da União destaca justamente o papel do corredor na integração territorial e na busca por maior eficiência no transporte de mercadorias. (Pesquisa TCU)

A instalação e a concessão de terminais ao longo da ferrovia podem ampliar a integração entre a produção agrícola, estruturas de armazenamento e outros modais de transporte. Na prática, esses pontos funcionam como áreas de conexão entre diferentes etapas da cadeia logística, permitindo que produtos sejam recebidos, armazenados e encaminhados para outros destinos.

No caso dos terminais previstos para o Tocantins, a movimentação de granéis agrícolas ganha relevância diante da posição do estado e de sua conexão com áreas produtoras do Centro-Oeste e do Matopiba. A infraestrutura ferroviária pode oferecer uma alternativa ao transporte exclusivamente rodoviário em determinadas rotas, dependendo das condições comerciais e operacionais de cada cadeia.

Além dos cinco terminais que serão leiloados em dezembro, o governo pretende disponibilizar outras áreas ao longo da Ferrovia Norte-Sul por meio de uma plataforma permanente da B3. Segundo o Ministério dos Transportes, são áreas distribuídas por 12 pátios ferroviários nos estados de Tocantins, Goiás e São Paulo. (Serviços e Informações do Brasil)

Investimento privado passa a ter papel maior na infraestrutura ferroviária

A estratégia de conceder terminais e autorizar novos empreendimentos faz parte de uma mudança mais ampla no modelo de expansão da infraestrutura ferroviária brasileira. A ANTT informa que, desde a criação do regime de autorizações ferroviárias, foram apresentados 108 requerimentos por 52 diferentes entes privados. Considerando os projetos já outorgados, a projeção de recursos privados para implantação dos empreendimentos chega a aproximadamente R$ 241 bilhões, com previsão de cerca de 12 mil quilômetros de novas ferrovias. (Serviços e Informações do Brasil)

Esse modelo permite que empresas privadas participem diretamente da implantação e exploração de ferrovias, pátios e instalações relacionadas ao transporte ferroviário. A lógica é complementar as concessões tradicionais e ampliar a capacidade de investimento em uma infraestrutura que exige grandes volumes de capital e prazos longos para maturação.

Para os cinco terminais da Ferrovia Norte-Sul, o modelo de concessão também cria uma oportunidade de modernização de estruturas já existentes. O TCU classificou os empreendimentos como brownfield, ou seja, instalações que já foram implantadas e estão em operação, mas cujos contratos atuais estão próximos do encerramento. (Pesquisa TCU)

Com novos contratos, os terminais podem receber investimentos destinados à modernização e à ampliação inicial de capacidade. O próprio processo analisado pelo TCU considera o Capex associado a esses investimentos, sem incluir os gastos de manutenção e operação ao longo do período de exploração. (Pesquisa TCU)

Novos terminais podem melhorar a integração entre modais

O investimento em terminais ferroviários não se limita à construção ou modernização de estruturas físicas. Esses empreendimentos são importantes para conectar a ferrovia a rodovias, centros de armazenamento, unidades produtoras e outros pontos da cadeia de distribuição. Quanto mais eficiente for essa conexão, maior pode ser a capacidade de utilização da ferrovia como parte de uma operação multimodal.

O Ministério dos Transportes afirma que as áreas previstas ao longo da Ferrovia Norte-Sul estão relacionadas à integração da ferrovia com cadeias produtivas, centros de armazenagem e outros modais de transporte. Essa integração é relevante para empresas que precisam movimentar grandes quantidades de produtos entre regiões produtoras e mercados consumidores ou portos. (Serviços e Informações do Brasil)

Para o setor agrícola, a existência de terminais próximos às áreas de produção pode reduzir etapas intermediárias de transporte e facilitar a transferência das cargas para o modal ferroviário. Já para produtos líquidos, a estrutura pode atender cadeias com necessidades específicas de armazenamento e movimentação, dependendo dos contratos e das características de cada terminal.

O impacto econômico, portanto, pode aparecer não apenas no valor diretamente investido nos cinco empreendimentos, mas também na atividade gerada ao redor deles. Terminais logísticos podem estimular serviços de armazenagem, transporte, manutenção, operação ferroviária e outras atividades relacionadas à cadeia de distribuição.

Agenda ferroviária mantém novos projetos no radar dos investidores

O leilão dos cinco terminais ocorre dentro de uma agenda ferroviária mais ampla prevista para 2026. O Ministério dos Transportes apresentou uma carteira de projetos que inclui concessões, autorizações e recuperação de trechos ferroviários, enquanto a ANTT trabalha com diferentes modelos para ampliar a participação privada no setor. (Serviços e Informações do Brasil)

Entre as iniciativas está o novo modelo de chamamento público para trechos ferroviários subutilizados. A proposta apresentada pelo governo permite que empresas privadas assumam a exploração de determinadas linhas por contratos de autorização, com possibilidade de investimentos privados na recuperação da infraestrutura. Os contratos desse modelo podem chegar a 99 anos. (Serviços e Informações do Brasil)

A política de expansão também prevê uma carteira de projetos ferroviários com oito leilões e R$ 140 bilhões em investimentos em malha ferroviária, de acordo com a apresentação oficial do Ministério dos Transportes. A estimativa evidencia a dimensão da agenda de infraestrutura que está sendo estruturada para o setor. (Serviços e Informações do Brasil)

Nesse cenário, os cinco terminais da Ferrovia Norte-Sul representam uma das oportunidades concretas de participação privada previstas para os próximos meses. O leilão de dezembro deverá definir os operadores responsáveis pela exploração das estruturas e, consequentemente, abrir uma nova etapa de investimentos na infraestrutura logística ferroviária brasileira.

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