Para Guilherme Campos, empresário do setor imobiliário e agro, a análise de um investimento imobiliário, durante muito tempo concentrada em fatores como localização, preço, demanda e potencial de valorização, passou a considerar também aspectos ligados à sustentabilidade. Eficiência energética, consumo de água, gestão de resíduos, qualidade construtiva e exposição a riscos ambientais podem influenciar os custos de operação e a atratividade de um ativo.
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O que o investidor realmente observa?
Sustentabilidade não significa simplesmente instalar painéis solares ou utilizar materiais considerados ecológicos. Uma análise mais ampla considera como o empreendimento será construído, utilizado e mantido ao longo do tempo. Eficiência energética, aproveitamento de água, conforto térmico, durabilidade dos materiais e gestão de resíduos podem fazer parte dessa avaliação. Também é necessário observar se essas escolhas contribuem para reduzir impactos e despesas durante a vida útil do imóvel, sem desconsiderar as necessidades de quem irá ocupá-lo.
A própria Caixa utiliza o Selo Casa Azul + CAIXA como instrumento de classificação ASG para empreendimentos habitacionais que adotam soluções eficientes desde a concepção até a ocupação e manutenção. De acordo com Guilherme Campos, a certificação é voluntária e estabelece critérios verificáveis para os projetos. Entre os aspectos avaliados estão medidas relacionadas à eficiência, ao desempenho ambiental e à qualidade do empreendimento, permitindo uma análise mais estruturada das práticas adotadas na construção.
A conta não termina na construção
Um imóvel mais eficiente pode exigir investimento inicial diferente de uma construção convencional, mas a análise precisa considerar também as despesas acumuladas durante sua vida útil. Consumo de energia, água, manutenção e eventuais adaptações representam custos que afetam o desempenho econômico do empreendimento. Quando essas despesas são projetadas desde o início, o investidor consegue compreender melhor o impacto financeiro da propriedade ao longo dos anos e comparar alternativas de forma mais completa.

A CBIC destaca justamente essa necessidade de avaliar o edifício para além da etapa de construção. Segundo a entidade, grande parte dos custos ocorre durante a vida útil da edificação, o que torna a eficiência operacional relevante para usuários e investidores. Isso significa que características definidas ainda no projeto podem repercutir por muitos anos, influenciando tanto a rotina dos ocupantes quanto a manutenção e os gastos associados ao imóvel.
Guilherme Campos avalia que essa perspectiva modifica a própria pergunta feita antes de um investimento. Em vez de analisar somente quanto custa construir ou adquirir determinado ativo, torna-se necessário observar quanto ele custará para funcionar e quais condições poderão afetar sua demanda no futuro. Essa leitura também permite considerar aspectos como a evolução dos padrões de consumo, as exigências do mercado e a capacidade do imóvel de permanecer atrativo diante de novas necessidades.
Sustentabilidade também pode afetar o acesso a capital
Guilherme Campos destaca que a relação entre sustentabilidade e financiamento é outro fator que fortalece esse movimento. A Taxonomia Sustentável Brasileira foi criada para estabelecer critérios objetivos sobre atividades e investimentos sustentáveis, aumentando a segurança de quem direciona recursos para esses projetos. Ao definir parâmetros para identificar iniciativas alinhadas a objetivos ambientais, o instrumento também contribui para tornar as características dos projetos mais claras para instituições financeiras e investidores.
No setor da construção, a discussão já está diretamente relacionada à atração de capital. Em 2026, debates promovidos pela CBIC apontaram que metas ambientais, sociais e de governança ganharam importância na avaliação de empresas e na busca por recursos. Isso não significa que todo imóvel sustentável receberá automaticamente melhores condições financeiras, mas indica que determinados critérios ambientais podem fazer parte da análise de risco e oportunidade.
Para acompanhar outras análises de Guilherme Campos sobre o mercado imobiliário e o setor agro, acesse o Instagram @guicamposvlg.